Broken Wings que voam por três décadas

Pega essas asas quebradas… e voa sem medo, caramba!

A frase acima é uma livre adaptação minha do início do refrão do maior hit da banda new wave Mr. Mister, a longeva e dramática “Broken Wings”, do álbum Welcome To The Real World, lançado em 1985. Pra galera mais jovem que lê este post não deve identificar logo de cara quem é a banda, ou suas músicas. Creio que nem a galera mais velha, apesar de que se tocar mesmo ela sem saber quem é possa reconhecer esta canção que mistura dentro da veia do gênero musical um texto sobre uma relação amorosa, onde contradições surgem, como não poder ficar juntos e o incentivo a buscar a aprender a voar novamente para que o amor os aceite. Continuar lendo Broken Wings que voam por três décadas

Persuasão do Amor

O amor para ser gerado, para ser conquistado… melhor dizendo, para manter a chama acesa do amor e superar as dificuldades é necessária a persuasão. Persuasão amorosa é a narrativa da canção da dupla indie/pop AM & Shawn Lee, abrindo o álbum “Outlines” (2015).

Persuasion é o tipo de música que conquista sem precisar de intensidade, quando se percebe já se está conquistado por ela. Primeiramente pela suave e contemporânea melodia. Ela é linear em basicamente todos os momentos, com bateria e teclado dando o ritmo, belamente acompanhados do contrabaixo. É como estar em uma deliciosa espiral com suaves camadas que sustentam a estrutura melódica. Continuar lendo Persuasão do Amor

Medo e perturbação – vinte e um tiros e pilotos mortos

Me surpreendeu muito plugar na TV e praticamente focar toda atenção vidrada naquela desconhecida banda (para mim) que entrava no enorme palco do Lollapalooza 2016. Twenty One Pilots: dois caras, três álbuns, sete anos, muitas tatuagens, maquiagem, máscaras, cortes e cores nos cabelos… e uma multidão tão afinada em coro cantando do início ao fim.

Quase que arrepiado, se estivesse em pessoa no Lolla com certeza estaria com a espinha gelada, ou fervendo, por não entender o fenômeno de absorver pelos poros aquele som e pular como fã desde infância. Parece insano em um palco tão grande, apenas bateria, um piano surrado e microfone. Um fundo meio hipnotizador e duas criaturas magrelas dominando a situação. O público praticamente fazendo parte da banda. Não há lacuna nem necessidade de preencher falta de membros, devida à tanta pregnância e consistência sonoro. Por vezes música, por vezes trilha musical, parecendo série de ficção científica ou adolescentes num beco bebendo vinho barato pra decifrar a vida. Mas me convenceu já nos primeiros segundos de áudio e visão de duas feras doloridas mas fortes, problemáticas e artisticamente bem trabalhadas. No mix: rock, eletrônico, dub, reggae, metal, hip hop…

Twenty One Pilots: Guns For Hands

Mostra um pouco o lado sutil dessa loucura ou insanidade dolorida, de almas perturbadas pelas armas e problemas do lado de fora da janela. Máscaras bastariam para tampar a percepção contra esse medo? Armas são forças contra algo? Ou será que darmos as mãos é capaz de tampar canos e silenciar as armas? Brincadeiras e vocais viscerais, bateria insana, tremedeiras, explosão… e muita intensidade.

Twenty One Pilots: show completo no Lollapalooza Brasil 2016

 

A víbora sedutora e obtusa

Víbora é hoje e daqui lá na frente uma das canções e interpretações tops de Tulipa Ruiz. Para você que ainda não ouviu, Víbora é uma música de libertação. Libertação e constatação de quem te domina, de quem te seduz dá o prazer inicial e logo após um intenso amargor. Continuar lendo A víbora sedutora e obtusa

Diga – grito contido em duas partes

Como um filme, um romance escrito, filmado e dirigido, lançado em película, exibido em tela grande em algum cinema antigo. E lá na fileira do meio alguém chora uma grande perda vendo filme da sua vida chegar nos créditos finais. Quando a gente perde algo se si, é mais fácil ainda e nem percebemos perder a outa parte em questão, o outro alguém.

Não sei se foi proposital que esse lindo e dolorido desabafo fosse escrito como uma carta em duas partes, mas fato que há uma necessidade latente em corações sinceros buscarem respostas, e naturalmente um crescimento e amadurecimento, ou aumento de certo sofrimento.

“Diga” (2011?) já inicia como melancólica e sublime trilha de filme, parecendo uma orquestra ao fundo, como se o poeta que saiu do cinema estivesse agora sentado na mesa de canto no bar ouvindo o piano e dedilhando seu resto de amor em um guardanapo. A letra é leve e de simples sinceridade, a melodia com tom de sofrimento, e pontuada certa entre altos e baixos, pausas e distância.

“Diga – parte 2” (2012) vem visceralmente tentando virar a mesa do jogo, uma luta entre razão e moção, entre ego e ódio, bocas tentando se afundar juntas entre pegar fogo em beijo caloroso de revanche e luxúria ou amargarem as ofensas e adeus definitivo. Guitarras brigando, bateria pegada e a volta do piano de bar, a crescente de trilha de filme, e a letra entre ordem, desabafo e amargura de uma relação verdadeira e puramente sofrida. O destino brinca de mudar sem explicação “eu não vivo sem você” para “eu não amo mais você”. A voz passeando entre suavidade e grito de puro rancor do fim.

É uma crescente, e como outras músicas da banda Fresno, vem recheadas de uma riqueza melódica grande, entre balé instrumental e construção de clima que faz uma simbiose muito coesa entre letra e melodia, recheando de muita emoção. Esse jogo em duas partes, o diálogo como uma carta de despedida, entre esperança e sofrimento e dor, chega a ser triunfal a magia da construção melódica, tão meticulosa quanto uma montanha russa, chegando em crescente êxtase de pureza e suavidade, depois caindo à toda velocidade em desabafo, ao fundo do poço.

A título de ilustrar a melodia e pegadas visceral da música, que tal uma versão apenas voz e canção, baixa luz e violão?

Voodoo In My Blood – perturbador feitiço do Massive Attack

O ritmo da percussão inicialmente perturba, contudo te conduz em poucos segundos. Sintetizadores e guitarra em deliciosa acidez. Uma exótica melodia que assusta, que provoca, que causa tensão e no fim o prazer e desejo de querer mais desta ciranda. Isso é Vodoo In My Blood, nova música de trabalho do incessante Massive Attack em parceria com o grupo Young Fathers. Continuar lendo Voodoo In My Blood – perturbador feitiço do Massive Attack